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Aluno autista da UFJF transforma brincadeira de infância em livro sobre neurodivergência na Bienal de SP

Romance 'Hegemonia — Vellanda' de Clinton Davisson Fialho acompanha jovem que ganha inteligência extraordinária e passa a ser perseguida por ser diferente A...

Aluno autista da UFJF transforma brincadeira de infância em livro sobre neurodivergência na Bienal de SP
Aluno autista da UFJF transforma brincadeira de infância em livro sobre neurodivergência na Bienal de SP (Foto: Reprodução)

Romance 'Hegemonia — Vellanda' de Clinton Davisson Fialho acompanha jovem que ganha inteligência extraordinária e passa a ser perseguida por ser diferente Arquivo Pessoal Quando criou Jun Vellanda nas brincadeiras de infância com o irmão, Clinton Davisson Fialho ainda não sabia que a personagem teria tantas semelhanças com a própria história. Décadas depois, aos 55 anos, após receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), o escritor e jornalista percebeu que Jun, que se sentia diferente do mundo ao redor, também carregava experiências vividas por ele. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Aluno do curso de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ele apresenta o romance Hegemonia — Vellanda no domingo (13), às 15h, na Bienal do Livro de São Paulo. O lançamento será no estande da Editora AVEC. No livro, Clinton mistura fantasia e ficção científica para abordar temas como neurodivergência, altas habilidades, preconceito, isolamento social e pertencimento. Publicado em 2025, Hegemonia — Vellanda já está entre os 100 livros mais vendidos da Amazon na categoria Aventura e Ficção Científica. “É uma aventura sobre família, preconceito, coragem e, principalmente, pertencimento”, explicou Clinton. O livro conta a história de Jun Vellanda, uma jovem de 14 anos que vive em uma sociedade onde mulheres não podem estudar. Curiosa e muito inteligente, ela bebe uma poção proibida que amplia sua capacidade intelectual. A partir daí, passa a ser vista como uma ameaça pelas autoridades políticas e religiosas. Perseguida, Jun foge de casa e atravessa um mundo em guerra, habitado por diferentes povos, criaturas fantásticas e dragões. Diagnóstico de autismo deu novo significado ao livro Clinton começou a escrever Vellanda em 2008, quando ainda sabia pouco sobre autismo. Anos depois, a história ganhou outro significado. Em 2021, os filhos do escritor receberam o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ao pesquisar sobre o assunto, ele percebeu que também se identificava com muitas das características. Em 2024, Clinton recebeu os diagnósticos de autismo, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e altas habilidades. “Foi então que compreendi que Vellanda sempre havia sido uma história sobre neurodivergência. Era sobre a maneira como eu me sentia, sobre o preconceito que enfrentei e sobre dificuldades vividas tanto por mim quanto por meus filhos”. Segundo o autor, a fantasia permite transformar experiências pessoais em imagens acessíveis a diferentes leitores. Clinton explicou que o livro não pretende representar todas as pessoas autistas, mas abordar a neurodivergência e a importância do acolhimento. “Pessoas neurodivergentes não devem ser tratadas como um peso, nem classificadas como melhores ou piores. Precisam ser respeitadas e acolhidas como qualquer outra pessoa”. Bienal A participação na Bienal marca mais um momento da trajetória de Hegemonia. O primeiro livro teve a edição esgotada e ficou entre os três mais vendidos da Amazon na categoria Aventura e Ficção Científica em 2020. Agora, Vellanda também está entre os 100 mais vendidos do gênero. Para o escritor, porém, o principal reconhecimento vem dos leitores. “Até hoje fico emocionado quando alguém me procura nas redes sociais e diz que Hegemonia foi o primeiro livro que leu na vida. Isso não tem preço”. Na Bienal, ele espera que a personagem encontre novos leitores. “Meu principal desejo é que Jun encontre novos leitores e que esses leitores também se encantem por ela.” LEIA TAMBÉM: Após diagnóstico do filho, pai descobre que também é autista e se veste de super-herói para aumentar a conscientização 'Aprendi a mascarar no decorrer da minha vida', conta empresária diagnosticada com o autismo aos 30 anos ASSISTA: Pai se veste de super-herói para levar informação e acolher famílias atípicas Pai se veste de super-herói para levar informação e acolher famílias atípicas VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes